Na véspera do Agosto Lilás, mulher denuncia abordagem abusiva da GCM após ser confundida com suspeita de furto em Itatinga
Caso ocorreu dentro de um comércio no centro da cidade; Guarda Civil Municipal afirma que o procedimento seguiu protocolo e foi feito com respeito
Na tarde de quinta-feira (31), véspera do Agosto Lilás — mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher — uma moradora de Itatinga procurou a Polícia Civil para denunciar o que classificou como uma abordagem abusiva em um estabelecimento comercial no centro da cidade.
De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher relata que foi abordada por dois homens dentro de um comércio no centro da cidade: um deles vestia o uniforme da Guarda Civil Municipal (GCM) e o outro usava camisa xadrez. Ambos a teriam acusado diretamente de ter cometido um furto em uma mercearia da cidade, ocorrido horas antes.
Segundo a mulher, os homens chegaram afirmando que "já sabiam" que ela era a autora do crime e a pressionaram a confessar, questionando onde estaria seu carro. A mulher negou as acusações, afirmou que estava em outro local no momento do furto e disse que sequer possui veículo.
Ainda conforme o depoimento, mesmo após negar qualquer envolvimento, ela foi constrangida a exibir seus pertences pessoais, teve a bolsa revistada e objetos fotografados — tudo isso em público, diante de clientes e funcionários do estabelecimento.
A liberação da mulher só ocorreu após os agentes realizarem uma ligação para confirmar a descrição da verdadeira autora do furto, que apresentava características físicas e vestimentas diferentes da abordada.
Segundo relatos, a mulher deixou o local visivelmente abalada e emocionalmente fragilizada. Familiares afirmam que ela continua profundamente afetada pelo ocorrido e que em nenhum momento os agentes pediram desculpas pelo engano.
O caso foi registrado como injúria, e a Polícia Civil irá investigar.
Versão da Guarda Civil Municipal
Procurada pela reportagem, a diretoria da GCM de Itatinga informou que a equipe apenas atendeu a uma solicitação após um furto ocorrido em um supermercado na manhã de quinta-feira. A denúncia inicial descrevia uma mulher vestindo calça vermelha e blusão bege, o que coincidiria, segundo os agentes, com a aparência da abordada.
A GCM afirma que uma nova informação apontou que a suposta autora do furto estaria próxima a uma farmácia e a base da corporação, e que, por isso, o diretor e o comandante da guarda foram pessoalmente averiguar.
“Nos dirigimos até a mulher e a cumprimentamos. Informamos que houve um fato e que a descrição coincidia com a dela. Esclarecemos que, caso não houvesse nenhuma comprovação, ela seria imediatamente liberada.” Informou o Diretor da GCM.
Ainda segundo a corporação, nenhum dos agentes revistou a mulher fisicamente e todo o procedimento foi feito de forma respeitosa, com a presença de uma funcionária do estabelecimento para acompanhar a verificação de seus pertences.
A GCM conclui que não houve abuso nem excesso e que a intenção era apenas esclarecer os fatos de forma rápida e que a abordagem foi realizada dentro dos protocolos e com respeito.
A verdadeira autora do furto — que teria levado dois frascos de loção corporal — será investigada e identificada pela Polícia Civil.
Reflexão e contexto
O caso gerou ampla repercussão na cidade, principalmente por ter ocorrido na véspera do Agosto Lilás, um mês marcado por ações de combate à violência de gênero. O episódio reacende o debate sobre abordagens policiais, identificação por aparência e o impacto da violência simbólica e psicológica — especialmente contra mulheres — em espaços públicos.
A Polícia Civil estará investigando o furto quanto a conduta dos envolvidos na abordagem.
A vítima, por sua vez, busca responsabilização dos autores pelo constrangimento sofrido.