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Na véspera do Agosto Lilás, mulher denuncia abordagem abusiva da GCM após ser confundida com suspeita de furto em Itatinga

Publicada em: 04/08/2025 09:15 - Justiça

Na véspera do Agosto Lilás, mulher denuncia abordagem abusiva da GCM após ser confundida com suspeita de furto em Itatinga

Caso ocorreu dentro de um comércio no centro da cidade; Guarda Civil Municipal afirma que o procedimento seguiu protocolo e foi feito com respeito

Na tarde de quinta-feira (31), véspera do Agosto Lilás — mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher — uma moradora de Itatinga procurou a Polícia Civil para denunciar o que classificou como uma abordagem abusiva em um estabelecimento comercial no centro da cidade.

De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher relata que foi abordada por dois homens dentro de um comércio no centro da cidade: um deles vestia o uniforme da Guarda Civil Municipal (GCM) e o outro usava camisa xadrez. Ambos a teriam acusado diretamente de ter cometido um furto em uma mercearia da cidade, ocorrido horas antes.
Segundo a mulher, os homens chegaram afirmando que "já sabiam" que ela era a autora do crime e a pressionaram a confessar, questionando onde estaria seu carro. A mulher negou as acusações, afirmou que estava em outro local no momento do furto e disse que sequer possui veículo.
Ainda conforme o depoimento, mesmo após negar qualquer envolvimento, ela foi constrangida a exibir seus pertences pessoais, teve a bolsa revistada e objetos fotografados — tudo isso em público, diante de clientes e funcionários do estabelecimento.
A liberação da mulher só ocorreu após os agentes realizarem uma ligação para confirmar a descrição da verdadeira autora do furto, que apresentava características físicas e vestimentas diferentes da abordada.
Segundo relatos, a mulher deixou o local visivelmente abalada e emocionalmente fragilizada. Familiares afirmam que ela continua profundamente afetada pelo ocorrido e que em nenhum momento os agentes pediram desculpas pelo engano.

O caso foi registrado como injúria, e a Polícia Civil irá investigar.

Versão da Guarda Civil Municipal

Procurada pela reportagem, a diretoria da GCM de Itatinga informou que a equipe apenas atendeu a uma solicitação após um furto ocorrido em um supermercado na manhã de quinta-feira. A denúncia inicial descrevia uma mulher vestindo calça vermelha e blusão bege, o que coincidiria, segundo os agentes, com a aparência da abordada.

A GCM afirma que uma nova informação apontou que a suposta autora do furto estaria próxima a uma farmácia e a base da corporação, e que, por isso, o diretor e o comandante da guarda foram pessoalmente averiguar.

“Nos dirigimos até a mulher e a cumprimentamos. Informamos que houve um fato e que a descrição coincidia com a dela. Esclarecemos que, caso não houvesse nenhuma comprovação, ela seria imediatamente liberada.” Informou o Diretor da GCM.

Ainda segundo a corporação, nenhum dos agentes revistou a mulher fisicamente e todo o procedimento foi feito de forma respeitosa, com a presença de uma funcionária do estabelecimento para acompanhar a verificação de seus pertences.

A GCM conclui que não houve abuso nem excesso e que a intenção era apenas esclarecer os fatos de forma rápida e que a abordagem foi realizada dentro dos protocolos e com respeito.
A verdadeira autora do furto — que teria levado dois frascos de loção corporal — será investigada e identificada pela Polícia Civil.

Reflexão e contexto

O caso gerou ampla repercussão na cidade, principalmente por ter ocorrido na véspera do Agosto Lilás, um mês marcado por ações de combate à violência de gênero. O episódio reacende o debate sobre abordagens policiais, identificação por aparência e o impacto da violência simbólica e psicológica — especialmente contra mulheres — em espaços públicos.

A Polícia Civil estará investigando o furto quanto a conduta dos envolvidos na abordagem.

A vítima, por sua vez, busca responsabilização dos autores pelo constrangimento sofrido.

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