OPERAÇÃO “QUEBRANDO A BANCA” MIRA QUADRILHA QUE LAVOU QUASE R$ 100 MILHÕES COM JOGOS DE AZAR
Investigados mantinham estrutura criminosa com empresas de fachada e “laranjas” para ocultar patrimônio e movimentações financeiras milionárias em SP e MG.
A Polícia Civil, por meio da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, deflagrou nesta terça-feira (13) a Operação “Quebrando a Banca”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável por lavar quase R$ 100 milhões obtidos com a exploração ilegal de jogos de azar.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Mogi-Mirim, Santa Rosa do Viterbo e São João da Boa Vista.
De acordo com as investigações, a quadrilha atuava há décadas utilizando empresas de fachada e uma ampla rede de “laranjas” — pessoas usadas para ocultar a real titularidade de bens e valores — com o objetivo de esconder os lucros provenientes das atividades ilícitas.
O delegado divisionário da Deic de Piracicaba, William Marchi, explicou que as apurações tiveram início a partir de prisões relacionadas a jogos de azar, crime considerado de menor potencial ofensivo, mas que frequentemente financia delitos mais graves, como lavagem de dinheiro e organização criminosa.
“Identificamos um grande número de pessoas que levavam uma vida simples, mas movimentaram milhões por mês. Elas eram usadas como ferramentas para tirar os verdadeiros líderes da mira da polícia. Também descobrimos empresas envolvidas na ocultação patrimonial, formando uma verdadeira rede de lavagem de capitais que atuava em São Paulo e Minas Gerais”, destacou o delegado.
Relatórios de inteligência financeira apontaram que o principal líder da organização movimentou mais de R$ 25 milhões em apenas um semestre de 2024, além de apresentar histórico de transações milionárias em anos anteriores.
As investigações revelaram ainda que parte da cúpula criminosa utilizava transações imobiliárias em dinheiro vivo e a aquisição de bens em nome de terceiros para dissimular a origem ilícita dos recursos. Já o núcleo operacional era composto por gerentes e operadores financeiros responsáveis por pulverizar valores milionários por meio de centenas de transferências via Pix e depósitos em espécie — prática conhecida como smurfing, que dificulta o rastreamento do dinheiro.
O esquema também envolvia uma empresa com capital social declarado de R$ 36 milhões, apontada como destino de grandes transferências realizadas pela liderança da quadrilha.
Somando as movimentações financeiras atípicas, o capital das empresas utilizadas, o patrimônio imobiliário oculto e uma frota de veículos estimada em R$ 18 milhões, a Polícia Civil calcula que o montante total de ativos e valores movimentados pela organização criminosa chegue a R$ 97,2 milhões.
Durante a operação, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, equipamentos utilizados em apostas, veículos e quantias em dinheiro. As investigações continuam para identificar outros integrantes do esquema e aprofundar a responsabilização criminal dos envolvidos.
Fonte: SSP/SP
Foto: Reprodução/SSP
#OperaçãoQuebrandoABanca #PolíciaCivil #Deic #LavagemDeDinheiro #JogosDeAzar #CrimeOrganizado #InteriorSP #SegurançaPública #InvestigaçãoCriminal #Piracicaba #Justiça
