Túnel da Rota: passagem para fugas em batalhas do século passado vira museu subterrâneo
Espaço histórico sob o Quartel da Luz, em São Paulo, integra roteiro de visitas e preserva a memória de conflitos que marcaram o Estado.
Um túnel escavado no fim do século XIX, projetado para a movimentação estratégica de tropas em períodos de conflito, hoje faz parte de um museu subterrâneo aberto à visitação no Quartel da Luz, sede do 1º Batalhão de Choque da Polícia Militar, onde atua a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na região central da capital paulista.
Construído durante a implantação do Quartel da Luz, obra assinada pelo arquiteto Ramos de Azevedo e iniciada em 1889, o túnel foi planejado com inspiração na arquitetura militar europeia. À época, a passagem ligava quartéis vizinhos e servia como rota de fuga, deslocamento de tropas, reabastecimento e até emboscadas, sendo utilizada em conflitos históricos como a Revolução de 1924 e a Revolução Constitucionalista de 1932.
Com o passar dos anos, a estrutura foi interditada, mas passou por processos de preservação e hoje abriga um museu subterrâneo, que integra o roteiro oficial de visitas da Rota. O espaço reúne peças históricas, documentos e objetos que ajudam a contar a trajetória de uma das unidades mais conhecidas da Polícia Militar paulista.
O passeio atrai visitantes de diversas idades e de outros estados. O policial militar Joseval Maurício, de 51 anos, veio de Pernambuco e aproveitou a estadia em São Paulo para conhecer o quartel. “Vim passar uns dias na casa do meu tio e fiz questão de visitar. É tudo muito bonito e cheio de história”, comentou.
A passagem subterrânea é considerada o ponto alto da visitação e costuma ser a última parada do tour, que dura cerca de uma hora. Mesmo escondido, o local já era conhecido por Jordan, de apenas seis anos, que pediu para conhecer o túnel após ver imagens nas redes sociais. “Ele sempre falou desse túnel e queria ver de perto. Foi o principal motivo da nossa vinda”, contou o pai, Wilson Lima.
Além do túnel, o roteiro inclui monumentos e homenagens a personagens marcantes da história da Polícia Militar, como o Brigadeiro Tobias de Aguiar, fundador da corporação; o coronel Salvador D’Aquino, fundador da Rota; e o capitão Alberto Mendes Júnior, patrono da PM. Também há tributos a policiais mortos em serviço e a combatentes da Guerra de Canudos e da Revolução de 1932.
O fascínio pela história também marcou a visita de José Lorenzo, de oito anos, que saiu encantado com o passeio. “Ele não dormiu de ansiedade esperando o dia da visita. Está indo embora apaixonado pela história”, disse o pai, José Aparecido Soares. O menino, fã da Polícia Militar, chegou a entregar um desenho da fachada do quartel a um dos policiais que conduziam a apresentação.
As visitas são gratuitas e acontecem às sextas-feiras e sábados, sempre às 10 horas. As inscrições devem ser feitas antecipadamente pelo e-mail visitarota@gmail.com, com envio do nome completo, CPF, RG e data desejada. No dia da visita, é obrigatória a apresentação de documento com foto, e crianças devem estar acompanhadas de um responsável legal.
Em 2025, cerca de 4,5 mil pessoas participaram do tour. Para o 1º tenente Bruno Souto, chefe da Seção de Comunicação Social da Rota, a iniciativa aproxima a Polícia Militar da sociedade. “Estamos de portas abertas para receber o público de São Paulo e de outros estados. A Rota faz parte do passado e do presente do Estado, e a visita é uma oportunidade de conhecer essa história de perto”, destacou.
Fonte: SSP/SP
Foto: Reprodução/SSP
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