
Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desmantelou, nesta quinta-feira (30/1), uma gigantesca organização criminosa que aplicava golpes financeiros em fiéis evangélicos, utilizando promessas de bênçãos divinas. O esquema, liderado por falsos pastores e influenciadores digitais, enganou mais de 50 mil vítimas em todo o país, movimentando valores astronômicos por meio de fraudes eletrônicas.
A quadrilha, composta por cerca de 200 integrantes, incluindo dezenas de líderes religiosos autoproclamados “escolhidos por Deus”, manipulava a fé das vítimas para convencê-las a investir suas economias em promessas de retorno financeiro milagroso. As abordagens aconteciam em cultos, grupos de WhatsApp, canais no YouTube, Instagram e Telegram, onde os criminosos vendiam títulos fictícios e ofereciam investimentos irreais, como a promessa absurda de transformar R$ 20 em US$ 20 milhões.
Entre as estratégias utilizadas, a quadrilha explorava a teoria conspiratória Nesara Gesara, prometendo recompensas financeiras imediatas para aqueles que contribuíssem com falsas operações financeiras e supostos projetos humanitários. A investigação revelou a existência de 40 empresas fantasmas e mais de 800 contas bancárias suspeitas ligadas ao esquema.
Nesta nova fase da operação, a PCDF cumpre 16 mandados de busca e apreensão contra os principais membros do grupo no Distrito Federal e em seis estados: Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Além disso, foram aplicadas medidas cautelares de bloqueio de contas bancárias, suspensão de redes sociais e proibição do uso de mídias digitais pelos envolvidos.
Em Botucatu um homem foi preso suspeito de envolvimento com crime digital. Também de acordo com as investigações, o homem preso morava na cidade de Santos-SP e agora está em Botucatu-SP. Na casa dele, a polícia apreendeu papeis, documentos, computadores, tablets e pen-drive utilizados para a consumação do crime.
Em Joinville (SC) um influenciador é alvo de operação. Durante o cumprimento do mandado no endereço do influenciador, na zona sul da cidade, agentes apreenderam celulares e computadores. Além disso, foi cumprida uma ordem de bloqueio e proibição de acesso às redes sociais.
O golpe, considerado um dos maiores já investigados no Brasil, afetou vítimas de diferentes classes sociais e regiões do país. Com o avanço das investigações, as autoridades esperam recuperar parte dos valores desviados e responsabilizar criminalmente os líderes do esquema.
Entenda o esquema
Em 2023, a Polícia Civil apontou que o grupo movimentou R$ 156 milhões em 5 anos, além de criar 40 empresas fantasmas e movimentar mais de 800 contas bancárias suspeitas. De acordo com as investigações, os suspeitos usavam redes sociais para cometer os golpes.
O objetivo era convencer as vítimas a investirem suas economias em falsas operações financeiras ou falsos projetos de ações humanitárias. O pastor Osório José Lopes Júnior foi um dos alvos presos na operação de setembro de 2023.
A Polícia Civil afirma que o grupo era composto por 200 integrantes, incluindo dezenas de pastores. A investigação aponta que os investigados prometiam retorno "imediato e rentabilidade estratosférica".
"Foi detectada, por exemplo, a promessa de que somente com um depósito de R$25 as pessoas poderiam receber de volta nas “operações” o valor de Um Octilhão de Reais, ou mesmo “investir” R$2 mil para ganhar 350 bilhões de centilhões de euros", apontam os investigadores.
Em seguida, ainda segundo as investigações, os suspeitos criavam pessoas jurídicas fantasmas para simular instituições financeiras digitais com alto capital social declarado. A intenção era dar aparência de veracidade e legalidade às operações financeiras.
Segundo a Polícia Civil, as vítimas assinavam contratos falsos, com promessas de liberação de quantias desses investimentos, que estariam registrados no Banco Central e no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
Foto: Divulgação
Operação Falso Profeta, Joinville (SC)