Londres — Marianne Faithfull, cantora, compositora e atriz inglesa, faleceu nesta segunda-feira aos 78 anos. A artista, reconhecida como ícone cultural e uma das vozes mais emblemáticas dos anos 1960, deixou uma marca indelével no cenário musical e cinematográfico britânico.
Nascida em 29 de dezembro de 1946, em Hampstead, Londres, Marianne Evelyn Gabriel Faithfull teve uma infância dividida entre o interior da Inglaterra e o meio intelectual de sua família. Sua carreira musical começou em 1964, quando foi descoberta por Andrew Loog Oldham, empresário dos Rolling Stones. Seu primeiro sucesso, “As Tears Go By”, escrito por Mick Jagger, Keith Richards e Oldham, tornou-se um dos hinos da década.
Faithfull rapidamente se tornou uma figura central no movimento cultural da Swinging London. Seu envolvimento com Mick Jagger e a proximidade com os Rolling Stones a tornaram um dos rostos mais conhecidos do período. Além de sua influência musical, sua imagem rebelde e estilo pessoal a transformaram em um ícone de moda e comportamento.
No entanto, a década de 1970 trouxe desafios pessoais. A cantora enfrentou problemas com drogas e um longo período de declínio profissional. Foi só no final dos anos 1970 que Faithfull fez um retorno triunfal com o álbum “Broken English” (1979), que mostrou uma nova faceta de sua arte: letras profundas e pessoais, interpretadas com uma voz rouca e poderosa, fruto das adversidades enfrentadas.
A partir de então, Marianne Faithfull seguiu uma carreira prolífica e diversa. Lánçou mais de 20 álbuns de estúdio e recebeu aclamação crítica por discos como “Strange Weather” (1987) e “Before the Poison” (2004). Sua contribuição ao cinema também foi significativa, com atuações marcantes em filmes como “Girl on a Motorcycle” (1968) e “Irina Palm” (2007), pelo qual recebeu elogios internacionais.
Ao longo de sua vida, Faithfull também foi uma voz ativa em diversas causas sociais e não hesitou em expor suas vulnerabilidades, tornando-se uma referência de autenticidade no mundo do entretenimento.
A causa de sua morte ainda não foi oficialmente divulgada, mas sabe-se que a artista enfrentava problemas de saúde nos últimos anos, incluindo uma batalha contra a COVID-19 em 2020, que deixou sequelas duradouras em sua voz e condição física.
Diversos artistas e personalidades prestaram homenagens à icônica cantora nas redes sociais. Mick Jagger escreveu: “Perdi uma amiga querida e uma artista incrível. Marianne tinha uma alma única e uma força que iluminava o mundo ao seu redor”. A cantora PJ Harvey também lamentou a perda: “Ela foi uma inspiração e uma mentora para mim. Seu legado viverá para sempre.”
Marianne Faithfull deixa um legado de coragem, reinvenção e criatividade que transcende gerações. Sua voz, ora delicada, ora potente, ecoará na história da música e nos corações de seus fãs ao redor do mundo.

Por Pedro L. G. Abramides

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